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A cultura japonesa do “mottainai”

Desde março deste ano, durante um período de dois anos, pretendemos publicar em série sobre “A cultura japonesa do mottainai “.

Este termo define a maneira de pensar usada, especialmente, pelo povo japonês.

O foco do mottainai são alimentos, roupas, objetos entre outros materiais.  Ou aqueles sem forma como eletricidade, ou tempo.  Assim sendo, cada um sente alguma coisa, que tem esse sentimento de pensar que é “mottainai”.  E isso é muito variado. Particularmente na cultura japonesa, para compreender este “mottainai”, gostaria abordá-lo a partir de objetos feitos utilizando materiais da natureza (naturais); do ponto de vista do reaproveitamento (reciclado); e de um aspecto mais amplo, o “serviço memorial” (kuyô), termo do espírito da cultura japonesa e do Tsukumogami do folclore popular.

O primeiro item está focado no “bambu”, e será apresentado em série de três partes.

 

MATERIAIS DA NATUREZA – Bambu

O bambu tem uma profunda ligação na vida dos japoneses desde os tempos antigos. Há uma história chamada “O Conto do Cortador de Bambu” (Taketori monogatari 竹取物語) de mil cem anos atrás, no início do período Heian.

O bambu tem um forte potencial de crescimento, uma vez que cresce alto em direção ao céu e se diz ser representativo do bom augúrio. Também, no Ano Novo usa-se o bambu jovem na decoração da porta da frente (kadomatsu) para celebrar o novo ano, expressando assim o frescor.

Além disso, os brotos de bambu (takenoko) representam o sabor sazonal da primavera, pois eles crescem bastante em dez dias, por isso em japonês escreve-se com este ideograma筍 [lê-se takenoko e o ideograma está formado pelo radical superior 竹 que significa bambu e o radical inferior 旬 usado para determinar um período curto de dez dias].  Assim mesmo, na cerimônia Jichinsai (地鎮祭) que acontece antes de iniciar a construção de uma casa, coloca-se bambu jovem nos quatro cantos do terreno e o sacerdote xintoísta realiza a cerimônia de purificação.

No Tanabata (七夕) – Festival das Estrelas – escreve-se o pedido numa tira de papel colorida (tanzaku 短冊) que logo é pendurado no galho de um bambu menor (sasadake 笹竹).

Nos festivais de verão usa-se o leque redondo não dobrável (uchiwa) como o abano, objeto que proporciona uma brisa fresca abanando-o com uma mão, a parte da moldura circular e o cabo é feito de bambu.  Antigamente havia leques redondos de Palmeira ou Falsa Latânia (birô 蒲, nome cientifico Livistona chinensis) e de folhas de bananeira japonesa (bashô no ha 芭蕉の葉, nome científico Musa basjoo). No período Muromachi tornou-se o formato atual e o material utilizado era armação de bambu e papel. Já no período Meiji a beleza do padrão dos uchiwa ganhou grande reputação dos estrangeiros e desde então vem exportando-o.

Ademais, há o leque dobrável (sensu 扇子) que os japoneses possuem, também serve para direcionar o vento ao abanar e o seu cabo é de bambu.  Em tempos antigos, era chamado de ôgi (扇).

A estrutura são de varetas (feito de bambu ou madeira) coberto com folha de papel japonês washi e o ponto principal kaname (que assegura as varetas pode ser de barba ou osso de baleia).

São várias as utilizações que os leques dobráveis (ôgi) têm, como podem ser usados nas cerimônias, há também o leque utilizado pelos comandantes (gunsen 軍扇) há muitos anos atrás, o usado em danças japonesas (maiôgi 舞扇), o que acompanha à roupa formal (shûgisen 祝儀扇), o leque chinês (tôsen 唐扇), o leque ocidental, criado na Europa (yôsen 洋扇), o leque decorativo (kazari-ôgi 飾り扇).

Em Okinawa existe o leque chamado kuba-ôgi (クバ扇) com superfície feita de folha de birô 蒲 ou kuba, nome cientifico Livistona chinensis.

 

Referência: Mottainai to Nihon no Dentô (Mottainai e a Tradição Japonesa) 『もったいないと日本の伝統』
Supervisão de OKAMOTO, Masashi 岡本正志, publicado pelo Gakken Co.,Ltd.学習研究社

Março de 2017

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