- A Paz Através de Uma Tigela de Chá -

Sessões de Prática (keiko)

Aqueles que se iniciam no Chadô – Caminho do Chá – junto à Urasenke, começam pelo warigeiko, o aprendizado dos movimentos básicos em partes separadas, e o bonryaku  temae ou Cerimônia de Chá Simplificada com a bandeja.

Concluída esta etapa de iniciação (nyûmon), prosseguem ao nível konarai. Essa matéria é essencial para o conhecimento básico do Chadô. Ao terminar a fase konarai, passam ao nível shikaden e, para concluir a prática (keiko), ingressam no chaji. Para o preparo de uma tigela de chá, existe essa forma mais cabal e completa com primazia de recepcionar os convidados, que é o chaji ou a Cerimônia do Chá Formal. O chaji é fundamental para assimilar o Chadô e pode-se também dizer que é a culminação do espírito do Chadô. O anfitrião prepara seu espírito para recepcionar os convidados, considerando esse encontro um momento único (ichigo ichie), que não irá se repetir, onde anfitrião e convidados se reunirão em estado de unidade (ichiza konryû).

 

PROGRAMAÇÃO E HORÁRIO DAS SESSÕES DE PRÁTICA
Agosto 2018

Dia   Horário Local
Terça manhã 10:00 – 12:00 Sala de Chá Hakuei-an
  tarde 14:00 – 16:00  〃
  noite 18:00 – 20:00  〃
Quarta tarde 14:00 – 16:00 Escola Oshiman
Sexta manhã 10:00 – 12:00 Sala de Chá Hakuei-an
  tarde 14:00 – 16:00  〃
Sábado manhã 10:00 – 12:00 Centro de Estudos Japoneses da USP
Domingo manhã 10:00 – 12:00 Sala de Chá Hakuei-an
*duas sessões por mês
Agosto 12 e 26
 
Agosto 07 e 10 Ro Usucha            Koicha Daisu            Usucha
  14 e 17 Daimegiri temae         Daisu Koicha
  21 e 24 Nagao chaire         Gyô-no-gyô-daisu
  28 e 31 Gyakugatte            Usucha            Koicha

※De 23 de julho a 06 de agosto: FÉRIAS

 


Sobre o Daisu
A estante daisu é uma das variedades de prateleiras formada por duas tábuas, a superior (ten-ita) e a inferior (jiita); e quatro colunas.
No ten-ita coloca-se o usuki (recipiente para chá fraco) e no jiita dispõem-se o furo – kama, mizusashi, shakutate, kensui e outros.
Quanto a sua origem, uma das hipóteses é de que no século 13 o monge Nanpo Jômyô trouxe ao retornar da China (dinastia Sung); outra hipótese diz que o daisu é uma versão reduzida da prateleira que existiu no chanoyudokoro (sala apropriada para preparar chá e dessa levavam o chá à sala dos convidados) encontrado nos palácios dos shogun no período Muromachi.
Sobre Kagetsu-no-shiki
O Kagetsu-no-shiki é realizado em um grupo de cinco pessoas. Primeiramente, passam as fichas do kagetsu; quem pegar com desenho de flor (hana) vai fazer temae, e quem pegar a ficha com desenho de lua (tsuki) bebe o chá. No hirakagetsu preparam-se quatro <vezes> usucha, ele é a base para uma grande variedade de kagetsu conexos: sumi tsuki (com colocação de carvão), koicha tsuki (com chá forte), kôgô tsuki (com porta-incenso), tsubokazari tsuki (com exposição de jarro para guardar folhas de chá verde) e outros.
O kagetsu tem várias regras, através das fichas são estabelecidas as funções e ordem <dos participantes> e dizem que “por mais que se faça cem vezes okeiko de kagetsu sua compreensão só será vaga, <como a lua nebulosa>”: 花月百遍朧月 (kagetsu hyappen oborozuki).
Sobre o Chakabuki
A origem desta Cerimônia Chakabuki-no-shiki é o tôcha (reunião de chá de competição ou jogo de degustação de chá), praticado na era Muromachi (1392-1573). Inicia-se com um teste; os participantes experimentam dois tipos de chá (kokoromicha) e em seguida tomam três variedades de chá forte (koicha), incluindo os dois anteriores, já degustados, mais outro diferente, para distinguir os sabores.
Sobre esta Cerimônia, que é uma das Sete Cerimônias de treinamento em grupo (shichijishiki), o bonzo Mugaku Sôen deixou explicado o seguinte: “Conhecerá o verdadeiro sabor quando souber discernir completamente as sensações do sabor amargo, doce, e quente.”
Sobre o Ro (braseiro embutido no tatame)
Originalmente a Cerimônia do Chá formal era realizada na estante daisu e com o braseiro furo. Por volta do século XV foi concebida uma nova maneira de oferecer o chá, cortando o tatame na parte onde estava assentado o braseiro furo e colocando o ro (braseiro embutido no tatame). O chá feito neste braseiro é igual ao chá em estilo sôan (cabana de sapé), que tem origem no princípio estético de “wabi” (simplicidade). Logo, o implemento do chá em estilo wabi é o braseiro ro. Depois disto, surgiu o costume de usar os braseiros furo e ro de acordo com a estação do ano.
Origem das palavras Chanoyu e Chadô
A palavra Chanoyu 茶の湯, lit. “água quente” é conhecida em diversos idiomas como Cerimônia do Chá. Esta palavra provém das palavras tencha tentô 奠茶奠湯. É o chá (茶 tcha) e a agua quente (湯 yu) oferendada a Buda.
A palavra Chadô – Caminho do Chá, começou a ser usada no século XVIII para dar uma ênfase moral e ético ao se colocar a palavra “dô – caminho”. ISHIDA, Baigan (1685-1744) usou a palavra “道 dô – caminho” influenciado pelo sekimon-shingaku, uma filosofia moral peculiar ao Japão, uma mistura popularizada do zen budismo, xintoísmo e dos ensinamentos éticos de Confúcio.