- A Paz Através de Uma Tigela de Chá -

“Reunião de Chá no incessante Cerrado” esplendidamente realizada no estado de Goiás

(Extraído da edição japonesa do jornal São Paulo Shimbun de 27 de outubro)

No dia 12 de outubro realizou-se a Reunião de Chá no incessante Cerrado, na fazenda Honjo, em Anápolis, no estado de Goiás. O evento foi co-organizado pelo Centro de Chado Urasenke do Brasil (presidente Sôichi Hayashi) e o Atelier Honjo (de Masayuki Honjo), com o apoio da Embaixada do Japão no Brasil (Embaixador Akira Yamada) e do Comitê dos 110 anos da Imigração Japonesa no Brasil (Presidente Executivo Yoshiharu Kikuchi). O chakai aconteceu dentro da programação de quatro dias do tour de chanoyu, e participaram da reunião de chá mais de cem pessoas provenientes de regiões próximas ao local e de São Paulo, que desfrutaram do encontro à sombra das árvores e ar puro.

A cerimônia de abertura contou com a presença do presidente do Centro de Chado Urasenke do Brasil, Sôichi Hayashi, do representante da regional Brasília da Urasenke, Yasuharu Fujimoto, do ceramista Honjo, do Embaixador Yamada, do Presidente Executivo Kikuchi, do Representante Chefe do Escritório da Jica Brasil, Akio Saito, do artista plástico Yutaka Toyota, do Presidente da Associação Ikebana do Brasil, Erisson Thompson de Lima Jr., do representante da Ikebana Sogetsu Brasília, Elder Lima.

Na propriedade de 80 hectares do Sr. Honjo, permanentemente se encontram no atelier mais de três mil peças de cerâmica. No local principal, de 8 tatames (honseki), especialmente preparado para este evento, foi instalado também o suikinkutsu (objeto decorativo de jardim, que permite apreciar o som da queda de gotas d’água), e enquanto ouvia-se o som da floresta de bambu desfrutava-se o momento no incessante cerrado.

Os utensílios, como mizusashi, chawan, shikigawara, kensui, foram feitos pelo Sr. Honjo. O vasilhame para doces (kashibachi), de capim dourado de Jalapão (no seu interior, uma peça de cerâmica feita por Iweth Kusano), continha doces kinton (de massa de batata-doce), de nome hanabeni 花紅 (flor carmesim).

No espaço ryûrei, isto é, onde a Cerimônia do Chá acontece com mesas e banquinhos, a fim de comemorar o dia com a “abertura do chakai”, foram oferecidos doces secos (higashi) de nome “matsu-ume 松梅“, em forma de pinho e flor de ameixeira, e o matcha Hôsôge 宝相華.

Quanto aos utensílios, o mizusashi era de porcelana com decoração de ouro tipo brocado sobre esmalte no vermelho e com alças (akae-kinrande mimi-tsuki 赤絵金襴手耳付の水指), o chawan de porcelana kutani, com emblema de ideogramas fukujuboa fortuna e longevidade (kutani yaki fukujumon 九谷焼の”福寿紋”).

Além disso, no espaço tenshin, a refeição leve de Alice Yumi Shibata, do restaurante Yuzu-an, de Brasília, foi servida em prato e pequeno bule da cerâmica Honjo, de modo que as variadas iguarias foram colocadas com primor nos pratos, e o caldo quente com legumes e cogumelo servido no pequeno bule (dobin mushi).

Em vários lugares do amplo imóvel foi possível deleitar-se com a exposição de magníficas obras de ikebana da escola Sogetsu, através de plantas e flores do cerrado e cascas de bambu.

Quanto ao tour, iniciou-se no primeiro dia com a visita a João de Deus, além de Pirenópolis e Goiânia. Enquanto isso, a Sra. Tomoko Takeda, que em agosto comemorou seu 88º aniversário (beiju), desfrutou com sublimidade o passeio, tal como expressa em seu poema:

“Cerimônia do chá a céu aberto

na grande savana do cerrado.

O grito do pavão.”

「セハードの大草原の野点席 孔雀ひと声 ‘コンと高らか」

Sehâdo no daisôgen no nodate-seki kujaku hitokoe’ kon’ to takaraka”

Monumento às Três Raças (branca, indígena e africana) na Praça Cívica, Goiânia

Novembro de 2018

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