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Bota-mochi

Dizem que “tanto o frio do inverno como o calor do verão só duram até o equinócio”. Nesta época em que se sente a mudança das estações, o wagashi típico do equinócio de primavera é o bota-mochi ぼた餅 (牡丹餅).

Ele é feito de arroz glutinoso ou este misturado com arroz normal japonês. Cozido ao vapor, ele é levemente socado e enrolado em bolinhas, que são cobertas com pasta homogênea de feijão azuki (koshi-an), ou com a pasta contendo grãos do feijão ligeiramente amassados (tsubu-an) ou farinha de soja (kinako), gergelim, algas verdes trituradas, ou ainda, com pasta zunda de grãos de soja verde.

Existe um doce similar chamado ohagui 御萩. Para explicar a diferença entre eles há várias versões. Uma delas é que na primavera floresce a flor “botan” (peônia) e por isso chama-se “bota-mochi”; e no outono floresce a flor de “hagui”(lespedeza bicolor var. japônica) e portanto denomina-se “ohagui”. Outra versão é que o bota-mochi é feito de pasta de azuki enquanto que o “ohagui” é preparado com farinha de kinako. Ainda uma outra explica que o primeiro é preparado com pasta homogênea de azukikoshi-an, e o segundo com pasta tsubu-an (ou até mesmo o contrário), entre outras. Ou seja, de região em região, ou até de loja em loja há diferença de nomes para o mesmo doce.

Tanto o “botamochi” quanto o “ohagui” são preparados na época dos dois equinócios como um doce para ser oferendando no oratório. Dizem que este costume vem da época Edo (1603-1868). Desde antigamente, a cor vermelha é considerada protetora de maus espíritos. Assim, o feijão azuki por ser vermelho, é utilizado nas festividades e cerimônias em pratos como o “sekihan” (arroz glutinoso cozido com azuki), ou na preparação de pasta de doce.

No equinócio, há o sentido de abundância nas colheitas de (cinco) grãos ao utilizar o “mochi” e o sentido de proteção contra os maus espíritos ao preparar o “bota-mochi” ou o “ohagui”. Desta forma, contam que começou a ser servido diante do oratório ou sepultura dos antepassados com o sentimento de gratidão e desejo de saúde à família.

 

Fevereiro de 2019

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