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Entrevista com o cônsul-geral do Japão em Curitiba Toshio Ikeda

A segunda entrevista, com personalidades no Brasil, realizou-se por e-mail com Toshio Ikeda, cônsul-geral do Japão em Curitiba.
Perfil

Período de permanência no Brasil: 21 anos no total.

Família: Esposa e duas filhas.

Hobbies: leitura, música e aikido (arte marcial japonesa), entre outros.

在クリチーバ日本国総領事館 池田敏雄総領事Entrevistador: Poderia nos descrever seu trabalho e o cargo que exerce?

Ikeda: Desde abril de 2014, exerço a chefia do Consulado Geral do Japão em Curitiba.
O Consulado Geral do Japão em Curitiba tem sob sua jurisdição os três estados da região sul do Brasil. E tem como atividades prestar assistência aos japoneses na área de sua jurisdição, serviços consulares como emissão de visto, passaporte, etc., apoio às empresas japonesas, promover a difusão da cultura japonesa e o fomento das relações bilaterais Japão-Brasil, entre outras. Neste ano, o Consulado desenvolve, nos três estados sob sua jurisdição, atividades comemorativas aos 120 anos do Estabelecimento das Relações Diplomáticas Japão-Brasil, como também os 100 anos da Colonização no Estado do Paraná e os 45 anos da Coirmandade entre a Província de Hyogo e o Estado do Paraná.

 

Entrevistador: Que impressão tem com relação ao fascínio da cultura brasileira?

Ikeda: Falando sobre a música brasileira, encanta-me pela rica sonoridade e sentimentalidade musical. A bossa nova, especialmente, remete ao Rio de Janeiro, é a própria imagem da praia carioca.

 

Entrevistador: Há alguma diferença cultural ou de estilo de vida que tenha percebido?

Ikeda: O Japão e o Brasil são contrastantes em vários aspectos. Acho que os japoneses são mais metódicos e os brasileiros mais flexíveis, mas em se tratando de leis e regulamentos, considero o Brasil mais rigoroso. Acredito que, sendo o Japão constituído por uma sociedade mais homogênea, as coisas funcionam mesmo sem um regulamento mais minucioso, ao contrário da sociedade brasileira que, por ser mais diversificada, necessita de leis e regulamentos mais específicos.

 

Entrevistador: Como é recebida no Brasil a cultura japonesa?

Ikeda: No Japão, um país insular localizado no extremo oriente, floresceu uma cultura singular, tendo como base a cultura japonesa primitiva transmitida desde a era Jomon, e que ao longo do tempo foi incorporando elementos do budismo, confucionismo, taoísmo, como também da civilização ocidental. Os imigrantes japoneses introduziram no Brasil a cultura japonesa, e a comunidade nikkei tem dedicado esforços na sua preservação, bem como divulgação. Os matsuris (festivais) promovidos pela comunidade nikkei em diversas localidades são bastante populares. A razão dessa apreciação deve ser o encanto próprio da cultura japonesa, mas pode expressar ao mesmo tempo, a aceitação da diversidade cultural pela sociedade brasileira.

 

Entrevistador: Quais são suas impressões sobre a cultura japonesa sob um novo olhar?

Ikeda: Expressa delicadeza e refinamento, bem como alto grau de perfeição. Percebo também que há uma influência do Taoísmo, que é a busca do ideal, o caminho visando a elevação espiritual, através do domínio das habilidades técnicas.

 

Entrevistador: Qual é sua relação com os encantos da Cerimônia do Chá?

Ikeda: Quando prestava serviços nos EUA, tive a oportunidade de visitar a casa de uma Mestra da Cerimônia do Chá. A mestra me conduziu até a sala de chá (chashitsu) e fiquei a aguardar a realização da cerimônia do chá. Na época, encontrava-me bastante ocupado e o pensamento bastante acelerado, mas enquanto aguardava na sala, a mente foi se acalmando pouco a pouco. Senti que o tempo dentro da sala fluía num compasso diferente. Estar em um chashitu é estar num mundo à parte, e acredito que esse seja o encanto da Cerimônia do Chá.

 

Lema Favorito

A perseverança é o grande agente do êxito.

 

 

Muito obrigado.

Entrevista: Junho de 2015

 

No ano 2008, o atual cônsul-geral Ikeda exercia suas funções dentro do Consulado Geral em Rio de Janeiro e deu impulso à exposição “Nippon – 100 anos de integração Brasil – Japão”, em homenagem ao centenário da imigração japonesa no Brasil; promovida pelo Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro. Seu empenho levou ao sucesso da exposição, descrita como o melhor evento cultural desse ano comemorativo.

Nota da redação

Julho de 2015

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