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Entrevista com o diretor-presidente da JETRO (Japan External Trade Organization) São Paulo, Atsushi Okubo

A quarta entrevista com personalidades no Brasil foi com o diretor-presidente da JETRO São Paulo, Atsushi Okubo, que comentou sobre o Brasil e a cultura japonesa, assim como, a relação entre cultura e negócios empresariais.
Perfil

Período de permanência no Brasil: 5 anos e 2 meses no total.

Família: Esposa.

Hobbies: Montanhismo, fotografia, vinho.

Entrevistador: Poderia nos descrever seu trabalho?

É promover os investimentos e o comércio exterior do Japão.

Tendo como objetivo principal apoiar exportações ao exterior de todas as empresas japonesas e, portanto, a expansão destas em outros países. Mas não é só nas exportações, vínhamos apoiando atividades locais como as realizadas no Brasil. Ultimamente, pode-se citar como exemplos representativos a comida japonesa e os produtos tradicionais (industrializados). Trabalho na divulgação no exterior desses produtos, que utilizam técnicas tradicionais japonesas, e recentemente, têm evoluído para um formato fácil de usar, como os bens de consumo.

Além disso, o investimento no Japão, a fim de aumentar o número de possibilidades de empregos; estamos trabalhando para atrair empresas estrangeiras.

 

Entrevistador: Que impressão tem, com relação ao fascínio da cultura brasileira?

Acredito que a cultura brasileira é a fusão de múltiplas culturas. Nos Estados Unidos há a tendência de dificultar a integração dessa diversidade cultural, mas no caso do Brasil, o preconceito é menor, existe união, acho que nasce, assim, sua cultura com características próprias. Essa diversidade, historicamente falando, não se refere à Conquista, mas à formação desde a base, ou seja, “cultivar a cultura”. Além disso, assim como a liberdade, a ordem na área da cultura é preservada.

 

Entrevistador: Qual é o tipo de pergunta mais frequente que os brasileiros fazem sobre a cultura japonesa?

Se comparar com o Japão, há o fato de que nada é feito com precisão. Tudo termina com um “Tudo bem.”, não prossegue. Por exemplo, mesmo sendo esperado para uma entrevista, o brasileiro, muitas vezes se atrasa. A infraestrutura de transporte não é pontual, quem sabe talvez haja um fundo histórico, mas me senti perplexo diante desse tipo de coisa. Ao morar mais tempo, certamente se torna mais suportável.

 

Entrevistador: : Como é recebida no Brasil a cultura japonesa?

Há um crescente interesse pela cultura japonesa não só no Brasil, mas no mundo todo. Isto se deve ao elevado desempenho econômico japonês na comunidade internacional com produtos como: alimentos, gastronomia, entre outros; e acredito que isto está relacionado com o fato de fornecer aos consumidores produtos de alta qualidade. Os produtos japoneses são aprimorados, delicados e fáceis de usar. Sinto que aí flui o fundamental – atenção, empenho – do japonês para com o outro. Tendo como motivo o produto: “Como é possível criar algo como isto?”; cada vez mais estrangeiros desejam aprender o elemento cultural que se encontra por trás disto. Assim também, na conjuntura do anime japonês, mais jovens têm demonstrado interesse pela cultura japonesa.

Por ter a posição de dar apoio aos empreendimentos japoneses penso que, conforme vai se consolidando os méritos da cultura japonesa isto se conecta com o aumento da confiança em seus produtos. Desejo unir ainda mais o fator cultural e os negócios. Acredito que o fato de transmitir a cultura está relacionado com a avaliação e melhoria de marcas de produtos japoneses.

 

Entrevistador: Quais são suas impressões sobre a cultura japonesa sob um novo olhar?

Talvez por estar no exterior pode, especialmente, se sentir a suave atmosfera que a cultura japonesa produz que acalma muito a mente e nos tranquiliza. E parece que os estrangeiros também sentem isto da mesma forma.

O mesmo ocorre no kadô (caminho das flores) e no chadô (caminho do chá), mas sinto que na cultura japonesa está incluída uma mensagem espiritual. Mesmo existindo uma tranquilidade espiritual, tem um aspecto de normas, torna-se uma oportunidade para reconsiderar a si mesmo.

 

Entrevistador: E por último, Sr. Okubo, diga-nos, qual é o seu lema favorito?

Para poder atuar no Brasil, as empresas japonesas devem preparar o ambiente de negócios aproximando-se do lado brasileiro, até mesmo para novos empreendimentos pouco desenvolvidos, creio que é importante estar sempre “antenado”. Diz-se que o Brasil está em crise, mas mesmo estando nessa situação acho que há uma variedade de oportunidades de negócios. Quem sabe a forma conduzida até agora não seja válida. Para chegar à criação de um negócio deve focar na ideia positivamente.

Com originalidade e criatividade, deve-se pensar sempre em um apoio que seja proveitoso às empresas japonesas. É meu desejo de sempre poder levar a cabo, com originalidade e criatividade, o nosso serviço evitando cair na complacência da situação atual.

 

 

Lema Favorito

Originalidade e Criatividade

 

 

Muito obrigado.

Entrevista em Outubro de 2015

Novembro de 2015

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