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Entrevista com Naohito Yoshida, diretor da Escola Japonesa de São Paulo (Sanpauro Nihonjin Gakkô)

A sexta entrevista com personalidades no Brasil apresenta o diretor da Escola Japonesa de São Paulo, Naohito Yoshida, que nos falou amplamente sobre a escola e sobre si mesmo.
Perfil

Período de permanência no Brasil: Um ano em abril

Família: esposa e dois filhos

Entrevistador: Poderia nos falar sobre a Escola Japonesa de São Paulo ?

-A Escola tem a aprovação oficial do Ministério da Educacão, Ciencia e Cultura e no exterior tem exatamente a mesma educação e currículo que o Japão. 80% do corpo docente são enviados pelo Ministério da Educação.

Os alunos que frequentam a escola são na sua maioria filhos de funcionários de corporações japonesas residentes no exterior e é possível continuarem da mesma maneira os seus estudos quando tiverem que voltar ao Japão. Por assim dizer, eles são tratados como se fora uma transferência escolar de uma escola dentro do país.

Certamente que ingressando na escola há a cultura da escola japonesa tais como os tipos de saudação, cortesia, limpeza, entre outros, que as crianças praticam durante uma vida escolar ativa. 

Como o local é bastante amplo, na hora do recreio podem coletar insetos, brincar de pega-pega, etc. Acho que é um ambiente muito privilegiado. 

Com relação às instalações, estas foram aumentando, temos um campo, dois ginásios, piscina, biblioteca e também uma plantação de café. 

Recentemente, nos foram doados tatames para a biblioteca, o que tornou o ambiente melhor do que antes e mais fácil para reunir e relaxar.

Há também vários eventos, mas entre eles, os mais representativos são o undôkai ( reunião ou encontro de esportes, Gincana Poliesportiva) e o bunka matsuri (Festa Cultural) com apresentação e exposição de temas estudados na sala de aulas.   E algo que só acontece no Brasil é a colheita de café.

Há ainda aulas de português lecionadas por brasileiros.

Além disto, se faz intercâmbio recreativo com escolas particulares das proximidades para se estudar mais sobre o Brasil. Espero que no futuro as crianças possam também realizar intercâmbio de ideias e opiniões.

Atualmente, estão matriculados 200 estudantes de ensino fundamental e 50 estudantes no nível médio.

 

Entrevistador: Diretor Yoshida, por favor, conte-nos que impressão tem desde que foi nomeado, com relação ao fascínio da cultura brasileira e sua diferença?

-Bem, o que eu senti nesse  primeiro ano, acho que é gentileza e tranquilidade.  Por exemplo, a cena que se vê no trem ou ônibus ao ceder ou ao ser cedido o lugar é algo que sinto ser mais do que no Japão.

O problema de segurança em São Paulo é muito comentado. Também tem o fato da segurança que há no Japão, por isso lá não se vê muito os estudantes de ensino médio acompanhados do pai ou mãe.  No entanto, no Brasil é perigoso a criança caminhar sozinha.  Por isso os pais sempre estão juntos o que torna vantajoso a aproximação dos pais e filhos. Sinto que o vínculo de mãe-filho vai se aprofundando naturalmente.  Acredito que é uma coisa muito boa.

 

Entrevistador: Poderia nos dizer algo sobre o senhor?

-Sou natural de Tokushima, na ilha de Shikoku.

Sou apaixonado por Okinawa, onde cursei a faculdade, obtive meu primeiro emprego e me casei.  Nos meus dias de folga, vou às compras no bairro da Liberdade onde compro sempre goya, tipo de cabaça amarga e cozinho goya champuru, que é um prato típico de Okinawa. 

Atualmente fui transferido sem minha família. Assim, cozinho também meu próprio almoço do dia a dia.

 

Entrevistador: Tem algum hobby?

-É fácil de dizer:  a leitura. Quando tenho tempo, dirijo-me a Fundação Japão e pego livros emprestados: geralmente um livro relacionado com o Nikkei, outro  sobre o Brasil e um outro livro  mais descontraído. 

Por estar morando sem minha família não tenho viajado, mas espero conhecer um pouco mais sobre o Brasil através dos livros.  Ao mesmo tempo me sinto muito grato por poder ler livros do Japão.

 

Entrevistador: Conte-nos qual é sua relação pessoal com a Cerimônia do Chá e seus encantos?

-Não tenho um contato direto com o Chadô, mas acho que seja a cultura da comunicação.

Qualquer um dos dois, a cortesia e as boas maneiras, ajudam na comunicação, além disso, penso que é algo que torna a pessoa mais suave.

Em certo sentido, a cultura do chadô é uma comunicação interpessoal, e também é uma comunicação com você mesmo.

 

Entrevistador: Por favor, nos diga quais são suas atividades no futuro.

-2017 é um ano marco importante, pois vai se comemorar o cinquentenário da escola.

Gostaria agora, mais do que nunca, intensificar o intercâmbio internacional.

Conforme se conhece, compreende e se pesquisa mais sobre o Brasil, nasce um entusiasmo e interesse.  Como até agora não sabia, ou não era suficiente o meu entendimento, o que pensava ser um intercâmbio permanecia como uma questão recreativa.  Junto com as crianças desejo pesquisar mais sobre o Brasil e procurar aquilo que mais me atraia o interesse.

O fato de poder ter o ensino do Japão aqui no Brasil deve-se graças aos nikkeis que foram construindo a confiança assim como também graças a todos os pais, às autoridades brasileiras, a todos os envolvidos na fundação da escola.  Espero poder mostrar de alguma forma a essas pessoas a gratidão que sinto.

Daqui em diante, os alunos da escola inteira, aprendendo e se aprofundando sobre fatos do Brasil, espero que encontrem algo no qual eles mesmos possam ajudar, se sentir capazes de promover a cooperação.

Para o cinquentenário da fundação, como mostra de gratidão, desejo realizar atividades que ampliem, mais do que antes, o aprendizado sobre o Brasil.

 

Entrevistador: Por favor, diga-nos qual é o seu lema?

-Basta dizer algo que faz captar as coisas de forma positiva: Hibi kore kôjitsu

 

Todo dia é um bom dia.

 

Muito obrigado pelo tempo dispensado, apesar de suas ocupações.

Entrevista em Abril de 2016

 

A Escola Japonesa de São Paulo é localizada no bairro do Campo Limpo, que é um pouco afastado do centro da cidade de São Paulo, mas abençoada pelo ambiente de muito verde e local amplo.

Mesmo estando em um outro país, aqui se pode receber a mesma educação do Japão.

Nota da redação

Junho de 2016

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