- A Paz Através de Uma Tigela de Chá -

Cinzas

Matéria em pó que remanesce após queimar grama, árvores, animais, etc., amplamente utilizada desde o passado como substância química. Os principais componentes da cinza são minerais metálicos (potássio, magnésio, ferro, zinco, sódio, cobre, cálcio, alumínio) e ácido silícico. As cinzas produzidas pela queima de substâncias químicas como petróleo e carvão contém uma grande quantidade de metais como germânio e vanádio.

APLICAÇÕES

FERTILIZANTE:
Desde tempos antigos é usada como fertilizante, porque contém uma grande quantidade de potássio. No processo de “corte e queima” para cultivo agrícola, as cinzas da vegetação resultantes desta queima torna-se fertilizante.

LIMPEZA:
O teor de ácido silícico fino e a alcalinidade contidos em cinzas de plantas e árvores são importantes para lavagem de tigelas e recipientes. E cinzas não contaminadas são aplicadas na lavagem do corpo humano e desinfecção de feridas.

ESMALTE PARA CERÂMICA (esmalte de cinzas, haiyû 灰釉)
O esmalte de cinzas é feito dissolvendo cinzas de plantas em água. Se adicionar um componente de metal, obtêm-se cores como o azul, índigo, verde, vermelho, marrom e amarelo.

HORTALIÇAS
Também pode ser usado para retirar a enzima polifenoloxidase (aku) que acelera a oxidação das hortaliças.

PIGMENTO ÍNDIGO
É a cor representativa do Japão. Sua história é muita antiga, remonta-se ao período Nara, e mesmo depois de anos a cor não se altera. A cinza é importante para obter o pigmento índigo.

CINZA DE LAREIRA e BRASEIRO (irori 囲炉裏, hibachi 火鉢)
Produzida com a queima de árvores de madeira dura e folhas largas como narakunugikashishî [todas são espécies de árvores do gênero Quercus, designadas comumente como carvalho]. Cinzas de árvores de Makurazaki, na província de Kagoshima, são amplamente distribuídas.

CINZA PARA CERIMÔNIA DO CHÁ
A cinza é a matéria que permanece após a queima de vegetação, chamada em japonês de hai 灰, já a cinza não lavada do forno de carvão é chamada de cinza natural (kibai 生灰).

Cinza para ro (Robai 炉灰): É uma cinza wabi, geralmente grossa e áspera.

Cinza úmida (Shimeshibai しめし灰): É a cinza para ro com um pouco de umidade. É espargida por cima do robai antes de colocar o carvão em brasa (shitabi 下火). É feita usando uma parte do robai e chá verde do tipo bancha, dando uma cor característica à cinza.

Furobai

Cinza para furo (Furobai 風炉灰): É constituída por partículas finas, macias e suaves. Ela é produzida com as cinzas de ro peneiradas após seu uso.

Remoção de resíduos de cinzas (Hai no akunuki 灰のあく抜き): O trabalho consiste em remover pó e poeira através da água.

A cinza da cerimônia do chá adquire cor e expressão conforme passa pelo ciclo de:
kibai (cinza natural) → robai (cinza para ro) → furobai (cinza para furo) → robai

Além disso, há outras cinzas como:
Fujibai 蒔灰, branca feita de glicínia para polvilhar sobre a cinza esculpida de furo.
Hishibai 菱灰, de castanha-de-água (trapa japonica) para incensório (kôro).
Warabai 藁灰, de palha para certos tipos de furo usados no final da época de furo, que no Japão corresponde ao mês de outubro.
Entre outras.

 

SIGNIFIÉ (significado)

É o conceito, definido por Ferdinand de Saussure, que no caso das cinzas, indica os diversos usos que elas nos oferece, como o papel prático que desempenha, e como um assunto em religião, artes, etc. A cor cinza é muitas vezes referida como metáfora de um estado não compreensível do bem e do mal; o branco é o símbolo do bem e da justiça, o preto é o símbolo do mal e o cinza é a cor intermediária, por isso no cristianismo, o dia de início da Quaresma é denominado de “Quarta-feira de cinzas” quando é realizado o rito das cinzas. As cinzas dos santos podem ser preservadas como cinzas sagradas.

A “cinza” não é o fim da vida, significa a vida nova que surge dela, como a ave mitológica fênix consumida pela auto-combustão e renascia de suas cinzas.

No conto popular japonês “Hanasaka jîsan” (O homem que fez florescer) há o relato do florescer de árvores mortas após espalhar cinzas. No conto de Cinderela, em japonês “Hai kaburi hime– trad.lit. – A Princesa coberta de cinzas” (em port. “A Gata borralheira”), a cinza é analisada como um símbolo para mediar este mundo e o outro mundo.

A cinza também é usada na adivinhação e feitiçaria.

Dizem que, no Japão, as cinzas da Cerimônia do Fogo (noite de 14 de janeiro ou manhã do dia 15, acende-se o fogo), que acontece no Pequeno Ano-Novo (Koshôgatsu 小正月) também podem eliminar doenças.

Abril de 2018