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Kintsugi – Kominka

KINTSUGI

Em japonês pode ser escrito 金つぎ ou 金継ぎ.

Há diversos tipos de objetos de cerâmica, desde aquelas tigelas de chá para uso diário, a chawan mais caros. Kintsugi é o método japonês de restaurar as cerâmicas tradicionais, quando elas se quebram.

Ao se aplicar esta técnica de reparação, as rachaduras deixam de ser um problema e, ao contrário disso, as peças se tornaram mais bonitas do que antes.

Originalmente, o kintsugi se desenvolveu no período Muromachi (1392-1573), junto com o florescimento da cultura do chanoyu. Acredita-se que começou como um conserto, ao se quebrar ou lascar um objeto de valor elevado ou uma peça de arte.

O método de restauração kintsugi consiste em colar as partes quebradas com laca, e embelezar as emendas com ouro, ao longo de toda a junção. A laca demora, para secar, de 10 a 15 dias. É necessário salpicar o ouro em pó no lugar das emendas, secar, aplicar laca novamente, secar e polir para dar o acabamento.

Há objetos que, em vez do pó de ouro, recebe a aplicação do pó de prata (gintsugi), ou que contém 20% de prata misturada ao ouro, para ficar esbranquiçado (seikinouro azul), ou ainda os que contêm mais prata (suishokuganeouro cor d´água), e os de platina (hakkin).

Emana da cultura tradicional japonesa a possibilidade de, neste imprevisto, descobrir, dentre outras coisas, a beleza, o prazer, desfrutar do gosto refinado e do entretenimento, e também apreciar as mudanças sutis sugeridas pela delicada sensibilidade dos antecessores.

A ideia de ver, no lugar restaurado das peças outrora quebradas e lascadas, uma vantagem positiva ao invés de negativa, pode-se dizer que é um conceito inverso ao de mottainai.

Atualmente, no Japão, há aqueles eminentes mestres denominados kintsugi sôke, que estão abrindo salas de aula desta técnica de kintsugi, e, inclusive, a rede de lojas Tôkyû Hands, onde se comercializa até kits de kintsugi para iniciantes.

 

Cerâmica Raku vermelho
Nome: Seppô 雪峯 (pico nevado)
Autor: Hon’ami Kôetsu (本阿弥光悦).

Chawan de kintsugi

São famosos o chawan grande de cerâmica Ido, de nome “Tsutsui zutsu 筒井筒” (parapeito de poço) que Toyotomi Hideyoshi possuía, e o “Seppô 雪峯” (pico nevado) de Hon’ami Kôetsu (本阿弥光悦).

 

KOMINKA

Não há uma definição sobre a época em que as casas antigas de estilo japonês (kominka 古民家) foram construídas, ou quantos anos passaram-se desde que foram erigidas, mas geralmente é comum referir-se a elas como da época da pré-guerra, em particular, na maioria das vezes, de antes do período Taishô (1912-1926). O estilo arquitetônico é feito de materiais naturais como madeira, bambu, terra, palha, kaya (planta para cobrir telhados), papel japonês washi, e sem a utilização de pregos.

A durabilidade, característica da arquitetura desta forma tradicional, está sendo revisada atualmente. Quando não se negligencia a manutenção, diz-se que tem uma duração de 200 a 300 anos. Estas construções, de estilo gasshô, denominadas assim devido à semelhança da forma do telhado com o gesto que se faz com as mãos ao rezar, se encontram espalhadas por todo o país, como em Miyama, na cidade de Kyoto, Niigata, Shirakawagô em Gifu…

Como estas kominka estão localizadas em pontos geográficos de difícil acesso, há um problema também, pois não há pessoas para morar onde o despovoamento está em progresso no Japão.

Porém, com os Jogos Olímpicos de Tokyo em 2020, tem-se a expectativa de que as casas antigas kominka, erguidas com preciosos recursos naturais e altamente apreciadas pelos estrangeiros, recebam investimentos de revitalização para acomodações temporárias em residências privadas (minpaku 民泊).

No passado, eram comumente usadas por agricultores, e também como residência do chefe da vila, de comerciantes, samurais, construtores, rancheiros. Atualmente são restauradas e utilizadas como galerias de arte, kominka café etc.

Referência: No tema Cultura Japonesa do Mottainai, ver o artigo sobre “CINZAS” no kominka.

Outubro de 2018

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